27 de Setembro de 1968

Data da tomada de posse de Marcelo Caetano como Presidente do Conselho, em substituição de António de Oliveira Salazar. Este momento assinala, em geral, o início da chamada Primavera Marcelista ou abertura marcelista, isto é, a fase inicial do marcelismo, caracterizada por expectativas de renovação política e por uma limitada abertura do regime do Estado Novo.

Embora tenha havido alguns sinais de modernização social, administrativa e educativa, bem como uma certa descompressão política, essa abertura revelou-se restrita e controlada. O regime manteve o seu caráter autoritário, sem aceitar a democratização nem pôr fim aos principais mecanismos de censura, repressão e controlo político. Por isso, a historiografia costuma ver a Primavera Marcelista como um processo de reformismo limitado, que criou expectativas de mudança sem alterar a natureza essencial do regime.

No contexto do movimento docente, esta conjuntura foi importante porque favoreceu, no início da década de 1970, o reaparecimento de espaços de debate, organização e reivindicação entre professores, num quadro ainda cauteloso, mas já marcado por maior mobilização profissional e associativa.