Nasceu em Lisboa, a 14 de dezembro de 1950. Enquanto estudante universitária, antes de 1974, integrou o núcleo da Pró-Associação da Faculdade de Letras.Ao terminar o curso, lecionou no ensino particular e, após a profissionalização em exercício, concorreu ao ensino público. Participou, desde a primeira hora, com os elementos do GEPDES, nas tarefas administrativas necessárias à criação da CIP (Comissão Instaladora Provisória) e, posteriormente, da CDP (Comissão Diretiva Provisória). Durante oito anos, foi adjunta da direção do SPGL. Hoje está aposentada e vive no Algarve.
Autoria: Isabel Cluny
Isabel Cabeçadas Neto (Binha) nasceu em Lisboa, mas foi registada em Faro por vontade do pai, abastado proprietário algarvio. Em jovem, estudou no Colégio do Alto, em Faro, tendo mais tarde ingressado no Liceu de Faro, onde concluiu os últimos anos do ensino liceal (6.º e 7.º anos).
Quando entrou na Universidade de Lisboa, em 1969, optou pela licenciatura em Germânicas, na Faculdade de Letras. Nessa altura, juntou-se aos movimentos estudantis da época e integrou o núcleo da Pró-Associação de Letras, que viria a ser encerrada em março de 1972, devido a ações de protesto dos estudantes daquela Faculdade (maioritariamente feminina) e dos estudantes da Faculdade de Direito de Lisboa.
Quando ocorreu o 25 de Abril de 1974, era ainda estudante da Faculdade de Letras, mas já lecionava numa instituição privada de ensino e mantinha contacto com um grupo de professores do Grupo de Estudos (GEPDES) que, antes da Revolução de Abril, lutava por melhores condições de trabalho.
O ambiente familiar, particularmente em casa do seu tio, Rui Cabeçadas, exerceu alguma influência nas suas opções políticas. Quando este regressou do exílio, a 30 de abril de 1974, Binha já mantinha amizade com Paulo Varela Gomes, Helena Pato e outros docentes ligados ao GEPDES. Foram esses professores que, em colaboração com António Teodoro e Fátima Rodrigues, dinamizaram as reuniões que, após a Revolução de Abril, conduziriam à fundação do futuro sindicato dos professores da Grande Lisboa (SPGL).
Isabel Cabeçadas viria a desempenhar um papel fundamental nesse processo — não na liderança do movimento, mas como uma das suas principais dinamizadoras no plano operacional.
Segundo as Memórias de Helena Pato, teria sido a “Binha” quem policopiou o stencil do primeiro documento “histórico”, redigido pela Comissão Coordenadora do GEPDES, no qual se anunciavam como comissão promotora de uma “Associação de Professores”. O texto foi entregue no dia 29 de abril aos professores de todos os graus de ensino, oficial e particular, bem como publicado nos jornais diários, a fim de convocar, para o dia 2 de maio, a primeira “Assembleia Geral de docentes de todos os graus de Ensino, em Lisboa”, a ter lugar na Escola Preparatória Manuel da Maia.
A partir dessa data, Isabel Cabeçadas Neto foi uma das sócias do sindicato (SPGL) que se empenhou em apoiar, primeiro a CIP e depois a CDP, tendo sido adjunta da direção do sindicato desde 2 de maio de 1974 e durante oito anos consecutivos, findos os quais regressou ao ensino e lecionou no Externato Séneca, instituição de ensino privado.
Nos anos de 1975-76, ainda fez parte de uma lista sindical que concorreu à direção do sindicato.
Após a conclusão do estágio (profissionalização em exercício), ingressou no ensino público e passou por escolas como a Escola Industrial de Chelas e a de Santa Iria da Azóia. Mais tarde, ficou colocada na Escola Secundária de Vila Real de Santo António, onde lecionou até se reformar. Isabel Cabeçadas Neto (Binha) é um exemplo típico de sindicalista docente que contribuiu, com a sua assessoria à direção sindical, para divulgar informações, decisões e orientações do sindicato junto dos professores das escolas, incentivando a sua participação em assembleias, greves e outras ações de luta e promovendo a consciência coletiva sindical.
