Maria Cândida Novais nasceu em Braga, em 1 de novembro de 1930. Licenciada em Biologia pela Faculdade de Ciências de Lisboa, iniciou a carreira como professora do ensino secundário em 1954, conciliando a atividade docente com uma intervenção cívica e política de oposição à ditadura. Em 1965/66, por razões políticas, não foi colocada no ensino, retomando posteriormente a investigação científica na Faculdade de Ciências de Lisboa, onde desenvolveu carreira académica na área da Fisiologia Vegetal.
Autoria: Isabel Cluny
A intervenção de Maria Cândida Novais no movimento de oposição ao regime de remonta à juventude, período em que participou no MUD Juvenil e, posteriormente, no Movimento Nacional Democrático e no MDP/CDE. Em dezembro de 1953, foi presa pela PIDE na sequência da receção a Maria Lamas no aeroporto da Portela, tendo permanecido detida na Cadeia de Caxias até janeiro de 1954.[1]
À data da detenção era professora, embora na ficha da PIDE constasse apenas como licenciada. Casada com Salomão Figueiredo partilhou com ele a luta contra o fascismo[2].
No âmbito do movimento docente, integrou os Grupos de Estudo do Pessoal Docente do Ensino Secundário de Lisboa (GEPDES) entre 1971 e 1974, tendo participando no processo de organização e mobilização dos professores do ensino secundário ainda durante a ditadura. Após o 25 de Abril, integrou, em 1974, a Comissão Instaladora dos Sindicatos de Professores (CIP), assumindo um papel de relevo no processo de fundação do Sindicato.
Nas eleições de julho de 1974, integrou a lista A, como candidata à direção da CDP.
Em 1981, voltou a candidatar-se à direção do SPGL, integrando de novo a lista A. Na altura era professora auxiliar da Faculdade de Ciências de Lisboa, onde, desde 1976, fazia parte da Assembleia de Representantes, exercendo também funções de delegada sindical.
Bolseira da Fundação Calouste Gulbenkian e do INIC, a sua trajetória articula a oposição à ditadura com a intervenção no movimento sindical docente e a atividade académica, enquanto docente e investigadora no ensino superior.
Faleceu em 27 de abril de 2025, na Póvoa da Galega, Alenquer.
Fonte: Helena Pato; Página do FB, Antifascistas da Resistência, notas biográficas, Maria Cândida Novais, 5.10.2024
[1] ANTT, PT-TT-PIDE-E-010-108-21419_m0039.jpg
[2] Salomão Figueiredo (n.1919) em Olhalvo (Alenquer), no seio de uma família de agricultores, Aos 15 anos ingressou no PCP. Foi professor do ensino particular e técnico superior do Instituto Nacional de Estatística, mas foi expulso da função pública por fazer oposição ao regime fascista de Salazar. Perseguido pela PIDE-DGS, em 1956 foi preso. Página do FB, Antifascistas da Resistência, notas biográficas, Salomão Figueiredo, 11 de julho de 2015
