Nasceu em Moçambique, a 26 de junho de 1949. No Porto, durante os primeiros anos da licenciatura em História, militou em grupos maoístas. Já em Lisboa, onde frequentou o 4.º e o 5.º ano da Faculdade de Letras, manteve a militância política.Ao casar, em 1970, com Ruben de Carvalho, líder estudantil de oposição ao regime, estreitou relações com diversas figuras da esquerda antifascista. Em 1972, terminado o curso, foi colocada na Escola Avelar Brotero (Odivelas) e, desde logo, se envolveu nas atividades do GEPDES, sendo uma das signatárias do abaixo-assinado entregue no Ministério da Educação. Após o 25 de Abril, a 2 de maio, foi uma das organizadoras da assembleia de professores que elegeu a CIP. Em julho de 1974, foi uma das candidatas eleitas pela Lista A à direção do sindicato, onde se manteve ativa até aos anos de 1980.
Autoria: Isabel Cluny
Frequentou a Universidade do Porto, onde completou os três primeiros anos do curso de História, tendo como colega José Pacheco Pereira, que, tal como ela, militava em grupos maoístas. Com a mudança para Lisboa, terminou os dois últimos anos da licenciatura na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Nessa altura, a contestação liderada pela Pró-Associação atingiu tal intensidade que a faculdade acabou por encerrar a 30 de novembro de 1972, numa tentativa de conter os protestos.
Pouco tempo antes, em 1970, Maria Adelaide Carvalho casara com Ruben de Carvalho, antigo aluno do Liceu Camões, destacado líder estudantil do ensino liceal desde 1960 e membro ativo da oposição democrática na década seguinte.
Por essa altura, conheceu Francisco Viana, primo do seu marido, que a apresentou a Joaquim Gomes[1], membro do Secretariado do PCP e responsável pela organização regional de Setúbal e do Alentejo. A partir de então, Maria Adelaide assegurou a Joaquim Gomes apoio logístico, nomeadamente como motorista, sempre que este necessitava de se deslocar, tanto em território nacional como no estrangeiro.
Foi também nessa época que contactou com Agostinho Lopes, membro ativo da movimentação dos professores que deu origem ao GEPDES, e se relacionou com Ary dos Santos, poeta, declamador e militante do PCP desde 1969, que muito a influenciou.
Ao concluir o curso de História, em 1972, Maria Adelaide foi colocada na Escola Preparatória Avelar Brotero, como docente do 1.º grupo. Foi nessa escola que se relacionou com Maria Amélia Carvalho, colega que lhe deu a conhecer o GEPDES, grupo de professores que lutava por melhores condições de trabalho e do qual se tornaria uma das principais colaboradoras.
Seria no ano de 1973 que José Tengarrinha[2] encontrou abrigo na casa de Maria Adelaide e de Ruben de Carvalho. Essa circunstância aproximou Maria Adelaide de Helena Pato[3], uma das grandes impulsionadoras do GEPDES, e ambas passaram a encontrar-se frequentemente para troca de mensagens e informações.
O 25 de Abril de 1974 foi vivido com grande intensidade por Maria Adelaide, sobretudo porque, a 2 de maio, foi uma das organizadoras da Assembleia de Professores destinada a eleger a CIP (Comissão Instaladora Provisória). No dia 3 de maio, já como membro da CIP, deslocou-se com Helena Pato e outros membros da CIP à Rua das Gaivotas para ocupar as antigas instalações da Liga 28 de Maio, onde viria a instalar-se o futuro Sindicato de Professores.
Em julho de 1974, foi uma das candidatas da Lista A, como suplente, à direção do sindicato de professores, na altura ainda designado CDP (Comissão Diretiva Provisória), lista que alcançou mais de 60% dos votos.
No ano de 1975, Maria Adelaide integrou uma equipa de técnicos da Direção-Geral da Educação Permanente, que tinha como objetivo a implementação de um «Plano Nacional de Alfabetização», durante o ministério da Educação de José Emílio da Silva, no âmbito do IV Governo Provisório. Em 1976, pertenceu ao Conselho Nacional de Alfabetização, uma equipa de que faziam parte Teresa Santa Clara Gomes e Ana Benavente[4]. Em 1976, a nomeação de Sottomayor Cardia para o Ministério da Educação acabaria por afastá-la desse projeto, num contexto interpretado como um saneamento político que atingiu várias figuras proeminentes do Ministério.
Abriu-se então um novo ciclo na sua vida profissional. Em 1976, ao ser novamente colocada, por um ano, na Escola Avelar Brotero, surgiu-lhe a oportunidade de candidatar-se a um estágio na Escola Fernando Pessoa, em Lisboa. Concluído o estágio, nos três anos seguintes exerceu funções no Instituto de Orientação Profissional, passando depois um ano na Direção-Geral do Ensino Básico, onde esteve ligada ao ensino do Português.
Regressou então ao ensino na escola onde estagiara e onde obteve colocação como professora efetiva. Em 1996, desempenhou funções no Instituto Irene Lisboa, organismo fundado pela FRENPROF com o objetivo de promover a formação contínua de professores.
Finalmente, em 2001, voltou à escola onde lecionou até 2008, altura em que se reformou.
Durante os anos em que lecionou, Maria Adelaide foi várias vezes delegada sindical e manteve a ligação da sua escola ao SPGL.
No ano letivo de 2000/2001, fez uma pós-graduação em História Moderna e Contemporânea, no ISCTE.
Posteriormente, mantendo vivo o espírito de Abril, entendeu que, em democracia, era essencial salvaguardar a qualidade dos serviços públicos. Nesse sentido, ofereceu-se como voluntária para organizar, no Teatro Nacional D. Maria II, as biografias de atores nacionais que não se encontravam acessíveis ao público. Contudo, o projeto acabou por ser interrompido devido à falta de enquadramento institucional.
Maria Adelaide de Carvalho constitui um exemplo de como o sindicalismo e o exercício da docência podem assumir uma relação de complementaridade. A presença, no contexto escolar, de uma delegada sindical com experiência anterior na direção e que continuava a desempenhar funções docentes contribuiu, certamente, para que os professores reconhecessem a relevância da organização sindical, não apenas enquanto instrumento de luta por melhores condições de trabalho, mas também enquanto entidade responsável pela defesa do estatuto da carreira docente, pela proteção dos direitos e deveres laborais dos professores e, ainda, como voz ativa no debate sobre as políticas educativas definidas pelo Ministério da Educação.
[1] https://www.pcp.pt/faleceu-joaquim-gomes.
[2] https://pt.wikipedia.org/wiki/Jos%C3%A9_Manuel_Tengarrinha
[3] [3] https://www.museudoaljube.pt/doc/maria-helena-pato-3/
[4] Pierre Marie, Revolução dos Cravos e educação popular. As associações de educação popular em Portugal (1974-1986), https://doi.org/10.14195/1645-2259_17_17
