Nasceu em Albufeira em 1950. Estudou em Faro e em Lisboa. Foi professor do ensino público durante quarenta e três anos, iniciando a sua carreira em 1973. Ingressou no Instituto Superior Técnico (IST) em 1968.
Ativo militante, desde 1970, da Associação dos Estudantes do Técnico e depois membro da sua direção. Foi também, desde 1972, militante político da UEC (União dos Estudantes Comunistas).
Após ter liderado, em 1973, uma greve de vários meses da associação académica, foi expulso do IST, onde era simultaneamente aluno e monitor.
Nesse ano começou a lecionar na Escola Emídio Navarro e passou a colaborar com o GEPDES.
Após o 25 de Abril de 1974, foi eleito para a direção da Escola Emídio Navarro. Candidato pela Lista A, à direção da CDP, foi eleito em julho de 1974. Em 1978 concluiu a licenciatura em Engenharia. Voltaria à direção do SPGL em 1979.
Orientador de estágio na Emídio Navarro entre 1982 e 1984. Em 1989 rumou a França (Paris), como bolseiro, para estudar Didática da Informática.
Entre 1990 e 1993 fez parte da Equipa de Tecnologia do GEP (Gabinete de Estudos e Planeamento do Ministério da Educação) na coordenação dos Projetos Minerva, Forja e Ricome.
Foi membro do Conselho Científico para a Avaliação de Professores, e membro do Conselho Nacional de Educação.
Autoria: Isabel Cluny
Nasceu em Albufeira, a 3 de outubro de 1950, onde frequentou a escola primária. Apesar das dificuldades económicas, quando ingressou no ensino secundário, a família foi residir para Faro, a fim de lhe possibilitar a frequência do Liceu Nacional de Faro, cujos cursos ainda estavam destinados aos filhos das elites políticas, económicas e sociais.
Bom aluno de Matemática, foi escolhido para integrar, no 6.º e 7.º ano do liceu, uma turma experimental de Matemática Moderna. Por esta altura, aproxima-se da JEC (Juventude Escolar Católica). Terminado o liceu em 1968, obteve uma bolsa da FCG (Fundação Calouste Gulbenkian) para frequentar o curso de Engenharia Eletrotécnica no Instituto Superior Técnico (IST).
Uma vez na universidade, depois de uma breve passagem pela JUC (Juventude Universitária Católica), passou a participar ativamente, desde 1970, no movimento de contestação estudantil como membro da associação de estudantes. Pouco tempo depois, em 1972, enquanto militante da UEC e já membro da direção da associação de estudantes, tornou-se representante desta organização junto da Ordem dos Engenheiros.
No ano de 1973, perante a agitação política e estudantil de oposição ao regime, a direção da Associação de Estudantes do IST, da qual fazia parte Ludgero Leote, após reuniões plenárias, decidiu decretar greve às aulas a partir de maio. Os alunos exigiam, entre outras coisas, a libertação de estudantes presos e a saída da polícia das faculdades. Perante as sucessivas renovações dos períodos de greve, o diretor do IST, Luís Sales, decidiu encerrar a faculdade.[1]
Ludgero Leote e mais alguns membros da direção da Associação foram então expulsos de todas as faculdades de ensino superior, tendo Leote, simultaneamente, perdido o lugar de monitor.[2]
Sem auferir a remuneração de monitor, resolveu candidatar-se por carta a professor no ensino secundário. Aceite na Escola Emídio Navarro em 1973, ingressou no 2.º grupo de Eletricidade para lecionar os 6.º e 7.º anos de escolaridade, à noite, tendo por alunos operários da Lisnave. Foi nesta escola que começou a participar no GEPDES, após conhecer Elsa Oliveira, então professora na escola Josefa de Óbidos e uma das principais dinamizadoras deste grupo, que contestava as condições de trabalho dos professores contratados. Nessa mesma época, privou de perto com Paulo Varela Gomes, amizade que perduraria ao longo dos anos, bem como travou conhecimento com José Bernardino Duarte. Do período em que lecionou antes do 25 de Abril, recorda um almoço na escola onde o diretor o advertiu para ser mais discreto na distribuição da “propaganda” os GE.
Após o 25 de Abril, Ludgero Leote foi um dos professores eleitos, por votação de braço no ar, para a direção da Escola Emídio Navarro.[3]
Pouco tempo depois, em julho de 1974, abandonou as funções de gestão da escola para se candidatar à CDP (Comissão Diretiva Provisória) do Sindicato dos Professores, onde integrou a lista A.
Após a eleição da CDP, Leote, então com 23 anos de idade, assumiu funções como secretário-geral administrativo do Sindicato, contribuindo para a criação e consolidação da estrutura organizativa necessária para responder às reivindicações dos professores dos diferentes graus de ensino. Nesse período, contou com o apoio de Isabel Cabeçadas (Binha), que exercia funções de secretária do Sindicato, e de Carlos Moreira.
Em 1974, a CDP manteve uma atividade intensa, tendo Ludgero Leote e Paulo Varela Gomes, entre outros, sido recebidos por membros do I Governo Provisório, destacando-se Pereira de Moura, Francisco Salgado Zenha, Álvaro Cunhal e Vieira de Almeida. A reunião tinha por objetivo “uniformizar o reajustamento de letras”.[4]
Quando, em março de 1976, a CDP perdeu as eleições para uma lista D, conotada com o Partido Socialista, Ludgero Leote regressou à docência, permanecendo simultaneamente na comissão sindical da Escola Emídio Navarro. Não obstante, a necessidade de concluir a licenciatura em Engenharia conduziu-o ao regresso ao Instituto Superior Técnico, onde concluiu a formação em 1978.
Em abril de 1979[5], voltou à direção do SPGL, eleito pela lista A, onde era mencionado como sócio fundador do sindicato, mantendo-se até 1981. Nessa altura, passou a integrar o Conselho Fiscal do sindicato até 1983. Essas eleições de 1979 marcaram um período de consolidação do SPGL, que passou a ser presidido por António Teodoro, elemento ativo na defesa da condição docente desde o tempo dos GEPDES, agora com responsabilidades acrescidas no sindicato.
Apesar da sua atividade sindical, entre 1982 e 1984, Leote manteve a atividade docente, desempenhando funções como orientador de estágio de professores de Eletrotecnia, acumulando simultaneamente os cargos de coordenador do Departamento Curricular de Tecnologias, coordenador das Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) e do Plano Tecnológico da Educação (PTE).
Nas eleições de 1983, Ludgero Leote apresentou-se novamente como membro da lista A para a direção do SPGL.
Ao longo da sua carreira docente, conciliou uma intensa atividade sindical com o desempenho de vários cargos na Escola Emídio Navarro, onde foi Presidente do Conselho Pedagógico, Presidente da Assembleia de Escola e Presidente do Conselho Geral Transitório.
Entre 1989 e 1990, Ludgero Leote, beneficiando de uma bolsa da FCG, partiu para Paris, onde frequentou um curso para obtenção do Diploma de Estudos Aprofundados em Informática para a Educação. Regressando a Portugal, integrou o GEP (Gabinete de Estudos e Planeamento) do Ministério da Educação, entre 1990 e 1993. Nessa qualidade, participou, em Toronto e Paris, nas 8.ª e 9.ª conferências internacionais sobre Tecnologia e Educação (1991 e 1992). De 1995 a 2000, foi consultor do Departamento de Avaliação, Prospetiva e Planeamento do ME, nas áreas de Novas Tecnologias.
Em 2008, por indicação da FENPROF, Ludgero Leote participou, na RTP1, no painel dedicado aos “Modelos de Gestão das Escolas e Avaliação dos Professores”, no qual apresentou as suas objeções ao Decreto Regulamentar n.º 2/2008.
Foi nomeado membro do Conselho Científico para a Avaliação de Professores (CCAP)[6] pela ministra da Educação. Entre 2009 e 2011, integrou o Conselho Nacional de Educação, em representação das Associações Pedagógicas de Professores.
Na sua área de ensino, Ludgero Leote destacou-se sobretudo por publicações sobre automatismos industriais, disciplina muito próxima da robótica industrial. Foi coautor de várias publicações[7], destacando-se o livro Automatismos Industriais: Comando e Regulação[8], obra técnica utilizada na formação profissional e no ensino tecnológico em Portugal, que teve sucessivas edições ao longo dos anos, o que comprova a sua relevância na formação de técnicos e profissionais de automação.
Quando, em 2016, se aposentou como professor da Escola Emídio Navarro, onde sempre lecionou, os colegas prestaram-lhe homenagem ao “grande Professor e Amigo Ludgero Leote”.[9] A Câmara de Almada associou-se a essa homenagem ao atribuir-lhe, nesse ano, a medalha de mérito cultural pelo trabalho desenvolvido ao longo da sua vida profissional e sindical no concelho.
[1]OLIVEIRA, Luísa; SILVA, Marta. O ativismo estudantil no IST (1945-80). Disponível em: https://repositorio.iscte-iul.pt/entities/publication/4c0afdc2-ed30-49af-82fc-d65bf3fa1613
[2]Cargo em que um estudante graduado presta auxílio a um professor numa determinada disciplina.
[3]Este tipo de votação, em 1974, foi uma forma de expressão de voto direto, associada ao poder popular e usada em assembleias de escola ou plenários de professores.
[4]O reajustamento de letra na escala dos salários da função pública. Pretendia-se a equiparação dos salários dos professores aos dos funcionários públicos com qualificações idênticas.
[5]SILVA, Lurdes. Profissionalização em exercício, Um processo exaltante (1979-1985), Memórias Partilhadas (1974-1986). Escola Informação, n.º 207 (maio): 12-23.
[6]https://expresso.pt/actualidade/professores-desafiam-ministra-para-debate-publico=f257469
[7]https://www.cnedu.pt/content/antigo/files/conselheiros/Ludgero-Leote.pdf
[8]Didática ed., 10.ª ed., 2005.
